Recordações

recordações de um ano memorável

  • INTRODUÇÃO
  • Tínhamos dois objetivos ao iniciar a programação deste “In memoriam de António Fragoso”: o primeiro era pôr à disposição das gerações futuras todo o seu importante legado de maneira acessível e um segundo era dar a conhecer (nacional e internacionalmente) toda a sua fantástica obra musical e literária. E reconhecemos que o primeiro objetivo está algo atrasado e isso deve-se não só à lentidão dos artistas e cientistas escolhidos para a sua elaboração, mas também ao enorme atraso do seu financiamento quer por parte do CENTRO 2020, quer da dgARTES que considerou a nossa candidatura (ganhadora no programa do CENTRO 2020) elegível, mas sem a indispensável e necessária pontuação que desse para  a  aprovarem!!!Mas se estes  problemas de produção estão a ser resolvidos uma vez que as partituras, livros e discos sairão durante o ano de 2019. O segundo objetivo foi amplamente cumprido,  pois a programação dos muitos eventos foi feita em crescendo e teve momentos de pura “magia”. Quanto à afluência de público foi cada vez mais numeroso e mais entusiasmado com a beleza da “música de Fragoso”.  Nunca em Portugal se dedicou um ano e dezenas de eventos louvando um compositor, e tal estendeu-se até a um nível internacional.  E nesse crescendo de eventos se foi cumprindo a programação que só não foi seguida integralmente apenas por problemas de financiamento.

 

    • PROGRAMAÇÃO

    Levámos a efeito ao longo de um ano (de 21 de Outubro de 2017 a 13 de Outubro de 2018) 76 concertos, 3 lançamentos de Integrais do CD com a Integral de Canto e Piano, e 3 conferências e colóquios ao longo de este  ano.  Tiveram de ser cancelados 4 concertos de piano e orquestra e 2 de câmara por falta de financiamento.

    Os 76 concertos foram, em geral,  artisticamente muito bons, mas temos de realçar aqueles que espalharam uma magia que invadiu os espetadores, ao ponto de alguns desejaram que fossem repetidos dado que tinham ficado fascinados com música de Fragoso e com a performance que acabaram de ver e ouvir.

    É claro que destes concertos houve alguns que se destacaram por algum motivo. Estamos falando dos:

    1. 1º CONCERTO DA INTEGRAL DE PIANO, pelo enorme pianista Manuel Araújo. Teve lugar, o que não acontecia há mais de 200 anos, na Sala dos Grandes Atos (Sala dos Capelos) da UC. Naquela atmosfera e com um excecional pianista foram interpretados cinco dos Sete Prelúdios, a Sonata em Mi e os Pensées Extatiques.

    Sendo um dos primeiros concertos, os espetadores não eram muitos, mas aqueles que lá estiveram viveram uma hora de pura magia, tal foi a performance de Manuel Araújo da fascinante música de Fragoso.  Este concerto, sempre que encontrávamos alguém que tivesse ido a esse concerto, era obrigatório relembrarmos e louvarmos aquele músico e a sua fabulosa performance.

 

    1. LANÇAMENTO DA PRIMEIRA INTEGRAL DE FRAGOSO, a de Canto e Piano. A soprano Carla Caramujo e o pianista João Paulo Santos, tendo como convidada a mezzo-soprano Raquel Luís, gravaram um CD com todas as canções compostas por Fragoso.  Este disco foi lançado no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa, no Conservatório de Música de Coimbra e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.  Estes três concertos foram  muito bem comentados por João Paulo Santos, comentários esses que muito cativaram o público que estiveram nesses concertos.

    A título informativo devo realçar que o CD duplo da Integral de Piano por Mestre Aquiles Delle Vigne está concluído, faltando apenas o contrato para o seu lançamento comercial. por outro lado a Integral de Música de Câmara está já gravada, encontrando-se em fase de edição. Mais tarde será lançado a Integral de Orquestra numa edição da prestigiada editora NAXOS, mas ainda se poder prever o seu lançamento comercial.

 

  1. 3. CONCERTOS ORQUESTRAIS “FRAGOSO E O SEU MUNDO”. Nos dias 5 e 6 de Janeiro tiveram lugar dois concerto de orquestra, o primeiro na Igreja Matriz de Cantanhede e no dia seguinte em Coimbra na Antiga Igreja do Convento de São Francisco. Foi a orquestra clássica Ensemble MPMP superiormente dirigida pelo Maestro Martim Sousa Tavares tendo a harpista Teresa Romão como solista. Criaram um segundo momento de magia fragosiana. Quer em Cantanhede, quer em Coimbra tivemos sala cheia de entusiasmados espetadores.  De tal maneira foi a reação dos assistentes que deu origem a um excelente artigo da grande jornalista Laurinda Alves  publicado no Observador e, mais tarde, num livreto que foi oferecido nos concertos seguintes.4. CONCERTO DE ENCERRAMENTO DO COIMBRA WORLD PIANO MEETING – 2018, teve lugar na Igreja Matriz da Figueira da Foz e, para além da Orquestra Filarmonia das Beiras dirigida pelo Maestro Leandro Alves teve como solistas Ruben Micielli (grande vencedor do Meeting 2018) e o japonês Fumiya Koido, vencedor do ano anterior. Foi também um concerto inesquecível porque a atuação dos solistas foi sublime e a orquestra e maestro revelaram uma competência que permitiu a excelência deste grande concerto.

 

5. AS OBRAS DE PIANO DE ANTÓNIO FRAGOSO – Concerto Comentado. A pianista Inês Andrade acabou de defender tese de doutoramento na Universidade de Boston subordinada ao título “Tradição e Inovação na obra de piano de António Fragoso” e pediu-se-lhe por isso que fizesse um recital comentado levando ao público no Conservatório de Música de Coimbra. A sua performance foi tão interessante que algumas pessoas que assistiram ao concerto pediram, logo que terminou, que programássemos a sua repetição.  Pensamos nesta hipótese gravando os seus comentários e a sua interpretação pianística em vídeo, pois poderá ser muito útil nas escolas e conservatórios para que os alunos possam “conhecer” Fragoso.

 

6. CONCERTOS COMEMORANDO O ANIVERSÁRIO DE FRAGOSO Não é que se tenham destacado pela sua veia artística, mas sim porque levámos Fragoso a 21 locais com pequenos agrupamentos musicais.  Em cada local se levava a música de Fragoso, adaptada a instrumentos de sopros e que teve, nuns locais mais e noutros menos, forte adesão dos naturais. Foi uma maratona fragosiana que nos pareceu poder ser repetida algumas vezes no futuro.

 

7. CONCERTO DAS JANELAS ABERTAS – Reconstituição. Teve lugar na Casa de Fragoso, na Pocariça, concelho de Cantanhede e nele participaram, tal como Fragoso fazia com os seus familiares e amigos músicos, 9 brilhantes pianistas e um artista em vibrafone que tocaram no salão; só se viam através de um pequeno retroprojetor. Na rua em frente da casa estavam  muitas centenas de pessoas em absoluto silêncio, gozando da música tal como antigamente os habitantes da Pocariça que arrastavam cadeiras para, na rua, poderem ouvir os serões fragosianos de verão, o que obrigava a ter as janelas abertas.  Não houve ninguém que, no fim do concerto, não estivesse empolgado com esse estranho e belo concerto e só pedem que se institua a sua repetição anual ou bianualmente.  Sem vaidade, podemos classificar este concerto como sublime, tal era a “devoção” e o silencioso respeito por aquela figura de culto que ali, na sua terra natal, se dava a conhecer cem anos depois da sua prematura morte.

 

8. CONCERTO MULTIMÉDIA PELO RUMOS ENSEMBLE. A 16 de Setembro o trio Rumos Ensemble, composto pelo pianista João Vasco, pela violinista Anne Marie Vitorino d’Almeida e pelo clarinetista Luís Gomes que apresentaram o seu mais que famoso ‘Tocando Portugal’. Foi um espetáculo em que se aliou a bela música portuguesa, com arranjos para música erudita de Anne Vitorino d’Almeida, e as fantásticas imagens realizadas em todo o Portugal por João Vasco. Não sendo fragosiano foi um concerto único e extraordinariamente belo.

 

9. CONCERTO DOS JOVENS FRAGOSIANOS. Não podíamos acabar este programa do “In memoriam de António Fragoso” sem ouvirmos seis jovens pianistas, dos 9 aos 18 anos, que no Salão Nobre do Seminário Maior de Coimbra e com uma plateia muito bem composta, deram a conhecer António Fragoso. Alguns deles tocavam este compositor pela primeira vez em público.  Aproveitou-se para prestar uma singela (e até comovente) homenagem a uma artista das belas artes e muito amiga de António Fragoso e que dava pelo nome de Amélia Carneiro. Tinham ambos uma enorme amizade e admiração pelo outro. E esta amizade e as virtudes de cada um foram muito bem explicadas pela historiadora Maria Manuel Carneiro, que soube ‘tão bem ligar’ a música de Fragoso e a bela pintura de Amélia Carneiro.

 

10. CONCERTO COIMBRÃO: uma homenagem à Universidade de Coimbra. A Orquestra OPUS 21 e o grupo de guitarras de Coimbra ITERUM juntaram-se para que este concerto ficasse de algum modo ligado à UC. Foi no páteo do Museu Nacional Machado de Castro, arrastando significativo público, sendo um concerto fora do normal , o agrado foi enorme.

 

11. MISSA SOLENE POR ALMA DE ANTÓNIO FRAGOSO. Dia 13, às 13 horas, dia do Centenário. O Reverendo Vigário Geral, Cónego Dr. Pedro Miranda, celebrou uma missa na Capela de S. Miguel, no Páteo das Escolas, que foi acompanhado pelo Ançãble (um dos melhores coros que conheço em Portugal) e pelo organista Paulo Bernardino.  Momento de reflexão espiritual que também devia, e estava inserido na programação destas comemorações.

 

12. CONCERTO DE ENCERRAMENTO do “IN MEMORIAM DE ANTÓNIO FRAGOSO – no centenário da sua morte”. Auditório do Convento de Sâo Francisco, 21,30 h. A formação sinfónica do Ensemble MPMP, com a admirável direção do Maestro Pedro Neves, com as solistas Tamila Kharambura, no violino e Inês Andrade, no piano, interpretaram duas das cinco peças de António Fragoso na sua versão orquestral. A AAF seguiu desde 2012, um plano de “estender” a curta obra de António Fragoso, pedindo a compositores (Sérgio Azevedo, Vasco Mendonça, Edward Luiz Ayres d’Abreu, Rui Paulo Teixeira e Martim Sousa Tavares) que aceitaram fazer transcrições para orquestra a partir de obras pianísticas de Fragoso. Foi assim possível mostrar um Fragoso já preparado para seguir uma estratégia de consolidação internacional.

  1. Com uma ótima orquestra, com um Maestro de grande            categoria e duas solistas que cumpriram com arte, só podia provocar um concerto em que as quase 700 pessoas que estavam a assistir ficassem em êxtase.Mas que final tão belo e sublime do“In memoriam de António Fragoso” Elaborado por Eduardo Fragoso M. Soares – Presidente da AAF – aos 18 de Outubro de 2018

 

alguns comentários

 

A música deixada por António Fragoso é um verdadeiro património musical. Um compositor do mais alto nível.

  • Isabel Cunha Santos

 

Aprovado por unanimidade o Voto de Louvor à ampla divulgação do legado musical e literário de António Fragoso. Valorizar o Património intangível da Pocariça, de Cantanhede, de Coimbra e de Portugal.

Foi com orgulho de serviço público que vivemos hoje com Eduardo Fragoso Martins Soares presente nas galerias da Assembleia da República, a aprovação por unanimidade do Voto de Saudação à Associação António Fragoso no momento em que esta assinala, de outubro de 2017 a outubro de 2018, o centenário da morte do compositor,  através de mais de uma centena de iniciativas culturais a realizar em cerca de quarenta  localidades do território nacional e catorze concertos no estrangeiro.

 

Voto de Louvor 447/XIII/3ª, apresentado  pelo PSD, PS, BE, CDS-PP E PCP.

  • Margarida Mano – Deputada e Professora Universitária

 

 

 

VOTO DE SAUDAÇÃO N.O 447/XIII

À ASSOCIAÇÃO ANTÓNIO FRAGOSO

No ano de 2018 assinala-se o centenário da morte de ANTÓNIO FRAGOSO, um caso admirável de talento musical raro e maturidade precoce, ceifados na flor da juventude pela vaga de gripe pneumónica que há um século dizimou as populações da Europa.

Em Outubro de 1918 António Fragoso estava a trabalhar a sua última obra, uma sonata para violino e piano. Pouco tempo antes, a 3 de julho, tinha concluído o curso de piano, no Conservatório Nacional, com 20 valores. Já então era um pianista e compositor considerado, sobretudo pelos colegas, apesar de contar apenas 21 anos e de estar inserido num meio modesto. Os concertos que tinha dado nesses dois últimos anos, 1917 e 1918, tinham-lhe permitido tocar publicamente muitas das suas obras. A sua grande aspiração, nessa altura, era a ida para Paris, para estudar composição com os grandes mestres. O seu falecimento prematuro travou um percurso que à época se augurava impressionante.

António Lima Fragoso nasceu em 1897 na aldeia da Pocariça, concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, e ali viveu os seus primeiros anos. A sua família, reconhecidamente culta – o único livro sobre a Pocariça foi escrito e editado por seu pai -, permitiu-lhe aprender cedo as primeiras letras e notas musicais. O seu tio, António Santos Tovim, médico em Cantanhede, ensinou-lhe a ler as pautas musicais e a tocar piano. Mais tarde, em 1907, foi para o Porto, para frequentar o Curso Geral dos Liceus. Ficou a residir na casa de um tio e padrinho, Professor Doutor José d’Oliveira Lima. É no Porto que frequenta o Conservatório e continua a estudar piano, com Ernesto Maia.

Desde 2009 que o estudo, a revisão, a edição e a difusão das obras musicais deixadas por António Fragoso são impulsionadas pela ASSOCIAÇÃO ANTÓNIO FRAGOSO (AAF), que, sob a presidência de Eduardo Fragoso Martins Soares, tem desenvolvido um trabalho assinalável para o conhecimento de Fragoso e da sua obra, contribuindo ainda para perspectivar a relevância dessa obra no seu tempo.

Neste contexto, a Assembleia da República formula um voto de saudação à Associação António Fragoso no momento em que esta assinala o centenário da morte do compositor, através de mais de uma centena de iniciativas culturais a realizar em cerca de quarenta localidades do território nacional e catorze concertos no estrangeiro, divulgando ampla e dignamente o legado musical e literário de António Fragoso.

 

Palácio de S. Bento, 5 de dezembro de 2017

 

13 de Outubro de 2018… António Fragoso presenteou todos os presentes com a sua belíssima Obra.
UM Grande OBRIGADA à Sua Família, muito em especial ao Dr. Eduardo Fragoso Martins Soarespela belíssima dedicação à divulgação Obra de António Fragoso.
Um Grande e Sentido Abraço de Apreço, Gratidão e desejos de muitos mais Sucessos, Luz, Cor e Paz!

Obrigada a Todos os “Gostos” e a Todos os que tornaram este Grande Concerto Possível!
Grande Abraço de Gratidão repleto de Luz, Cor e Paz para Todos! 🙂

  • Dina Lopes  – pintora

 

Concerto das Janelas Abertas: lindo! Ficou no coração das pessoas e vai ficar para sempre. Parabéns.

  • Maria Nunes

 

Será para sempre difícil para mim, descrever o Magnífico Concerto “In Memoriam de António Fragoso” (Orquestra Ensemble MPMP) que se realizou no passado dia 13 de Outubro de 2018 no Convento de São Francisco em Coimbra…
Algumas Pessoas alertaram-me para o facto de estar prevista uma tempestade com alerta vermelho para Coimbra, mas… eu não podia faltar… e fomos! E foram muitos mais que sentiram que era um momento único e imperdível.

Magia… Amor… Paz… E Grandes Emoções foram vividas através da Música de António Fragoso!
Não sei se algum dia conseguirei fazer justiça a tamanha Beleza!

O Violino tocado pela magnífica Tamila Kharambura…
O Piano tocado pela magnífica Inês Andrade…
E a Orquestra Ensemble dirigida pelo magnífico Maestro Pedro Neves,
estão bem guardados no meu Coração, assim como a Família de António Fragoso (Eduardo Fragoso) que tanto têm contribuído para a divulgação da Obra de um Génio que tão cedo nos deixou, mas que está bem vivo através das suas magníficas Obras Musicais.

OBRIGADA!!!

  • Dina Lopes – Pintora